Cresce expectativa por votação de projeto que muda cálculo do aluguel

Samia Rifai é comerciante e dona de uma loja de material de construção localizada no bairro do Brás, região central de São Paulo. Com a pandemia, teve muitos prejuízos e dificuldade de pagar o aluguel em 2020. Agora, com o reajuste de R$ 1.200 reais no contrato, a situação piorou. “A imobiliária não topou em nenhum momento negociar nada e se eu atrasar uma parcela desse acordo eu tenho 30 dias para tirar as coisas do salão. Minha loja é enorme, eu não tenho nem condições de tirar minhas coisas do salão no momento e eu já atrasei os 30 dias”, afirmou. Muitos brasileiros passam pela mesma situação. O IGPM, Índice Geral de Preços do Mercado, usado para a correção dos contratos de locação comercial e residencial acumula uma alta de 31,10% de março de 2020 a março de 2021.

O deputado federal Vinicius Carvalho (Republicanos-SP) é autor do Projeto de Lei que tramita na Câmara e propõe que os reajustes de aluguéis não ultrapassem a inflação oficial do país – medida pelo IPCA – índice nacional de preços ao consumidor amplo. “A ideia de fato é colocar o parâmetro para o IPCA ou outro índice que possa surgir em substituição a esse que meça a realidade do consumo brasileiro. O consumo, não o mercado”, afirmou. O IGP-M é calculado levando em conta vários setores da economia. Ele está bastante ligado às oscilações do câmbio e consequentemente das commodities como a soja e o minério de ferro. Em 2020 tivemos desvalorização cambial, o que fez com que o IGPM desse um salto para cima. Diferente do IPCA, que tem mais relação com a inflação do custo de vida das famílias e que ano passado foi pressionado apenas pelos alimentos, registrando um aumento de quase 5%.

André Braz é economista da Fundação Getúlio Vargas e diz que fixar reajuste imobiliário na casa do ipca é bom para o inquilino que tem o salário indexado pela inflação, mas não considera o lado do proprietário que investiu em um bem. Segundo ele, definir um índice, seja IGPM ou IPCA, causa distorções. “A gente tem que pensar na desindexação que o mercado pede. Deixa o inquilino negociar com o proprietário. Se a gente fixa um indexador é aquela situação: a gente ainda não discutiu suficientemente para saber se o IPCA é um índice que tem que entrar nessas negociações. Eu acho que o mercado pode evoluir produzindo um indicador que retrate a evolução do preço dos imóveis”, afirmou. O economista sugere ainda que seja considerada a realidade do mercado imobiliário de cada região.
Fonte: Jovem Pan

outras Notícias

Personalizar preferências de consentimento

Utilizamos cookies para ajudar você a navegar com eficiência e executar certas funções. Você encontrará informações detalhadas sobre todos os cookies sob cada categoria de consentimento abaixo.Os cookies que são classificados com a marcação “Necessário” são armazenados em seu navegador, pois são essenciais para possibilitar o uso de funcionalidades básicas do site.Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar como você usa esse site, armazenar suas preferências e fornecer conteúdo e anúncios que sejam relevantes para você. Esses cookies somente serão armazenados em seu navegador mediante seu prévio consentimento.Você pode optar por ativar ou desativar alguns ou todos esses cookies, mas desativá-los pode afetar sua experiência de navegação.